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terça-feira, 4 de agosto de 2015

1000 voltures-balões e vagas no tenebrous

eae galera estamos abrindo mais vagas aqui no tenebrous, interessados mandem mensagens ou aqui no blog ou na pag oficial do face!

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Alguns dias atrás postei uma história chamada "Passos". Houve algumas  perguntas que me fez ficar curioso a respeito da minha infância, então fui conversar com minha mãe. Alarmada por minhas perguntas, disse "Por que não conta para eles sobre os malditos balões, se estão tão interessados?" No momento em que ouvi essas palavras, lembrei mais do que esperava. Esta história fará com que a anterior tenha mais nexo, mas acho melhor você ler a outra primeiro. Embora a ordem não seja de importância vital, lendo aquela primeiro fará com que você se ponha melhor no meu lugar, sendo que acho que os eventos da "Passos" aconteceram antes.  Ah, e um aviso prévio: As duas histórias são longas. Não quero deixar nenhum detalhe que possa ser importante de fora.

Quando eu tinha cinco anos de idade eu frequentava uma escolinha que, pelo o que me parece agora, era totalmente inflexível sobre a importância do aprendizado com atividades. Era parte de um novo programa desenvolvido para que as crianças evoluíssem no seu próprio ritmo e, para facilitar isso, a escola encorajava os professores a serem bastante criativos em suas aulas. Cada professor ou professora tinha a liberdade de criar seus próprios temas que seriam a base durante todo o semestre,  e todas as atividades de matemática, leitura, e outros seriam feitas dentro do tema. Esses temas eram chamados de "Grupos". Havia o grupo do "Espaço", do "Mar", da "Terra" e o grupo em que eu estava, "Comunidade".

No país onde eu moro, você não aprende muito no Jardim de Infância. Nada muito além de amarrar os cadarços e compartilhar, então geralmente não tem coisas de importância para se lembrar dessa época. Eu, por exemplo, só lembro de duas coisas: Eu era o melhor em escrever meu nome corretamente e o Projeto dos Balões, que foi a marca registrada do Grupo Comunidade, sendo que é um jeito simples de mostrar basicamente como funciona uma comunidade em si.

Provavelmente você já ouviu falar sobre essa atividade. Em uma sexta-feira (sei que era sexta porque estava muito empolgado para esse projeto, e lembro de ter de esperar toda a semana), no começo do ano, entramos na sala de aula e encontramos balões cheio de gás hélio amarrados com uma cordinha em cada uma das mesas. Junto havia uma caneta permanente, uma caneta, um pedaço de papel e um envelope. O projeto consistia em escrever um textinho, colocar no envelope, amarrar na corda e desenhar qualquer coisa que quiséssemos na superfície do balão. A maioria das crianças começaram a brigar pelas diferentes cores dos balões, mas eu comecei de imediato escrever a cartinha, na qual tinha pensado muito nos dias anteriores.

Todas cartinhas tinham que seguir uma estrutura especifica, mas fomos autorizados a ser o mais criativos possíveis dentro desse limite. O meu texto era mais ou menos assim "Olá! Você encontrou meu balão! Meu nome é [Nome] e estudo na Jardim de Infância XXXXXXXXX. Você pode ficar com o balão, mas espero que me escreva de volta! Gosto de desenho animado, explorar, construir fortes, nadar e fazer amigos. O que você gosta? Me escreva logo. Aqui está um dólar para o correio!" Na nota escrevi "PARA SELOS" bem na frente, o que minha mãe disse não ser necessário, mas achei uma genialidade da minha parte.

A professora tirou com uma  Polaroid fotos de cada aluno junto de seu balão e nos fez colocar dentro do envelope, com nossa cartinha. A professora colocou outra carta, que provavelmente explicava a natureza do projeto e sinceros apreços à quem respondesse e mandasse junto uma foto de sua cidade ou vizinhança. Essa era a ideia - construir um senso de comunidade sem ter que sair da escola e estabelecer um contato seguro com outra pessoa; parecia ser uma ideia tão divertida...

Durante as semanas seguintes as castas começaram a chegar. A maioria vinha com uma foto de uma paisagem diferente e, toda vez que uma carta chegava, a professora fixava a foto em um grande quadro, mostrando de onde tinha vindo e o quão longe o balão tinha viajado.  Foi uma ideia muito inteligente, porque estávamos sempre animados para ir à aula, querendo saber se nossa carta tinha chego. Durante todo o ano, uma vez por semana tínhamos o direito de escrever de volta para nosso amigo da carta ou para o amigo da carta de um dos nossos colegas, caso não tivéssemos recebido a nossa ainda. A minha foi uma das últimas a chegar. Quando cheguei na sala olhei para minha mesa e mais uma vez vi que não havia nenhuma carta esperando por mim. Mas, quando sentei, a professora me entregou um envelope. Devo ter parecido animado demais porque quando estava prestes a abrir, ela colocou a mão em cima da minha e disse "Por favor, não fique chateado". Não entendi o que queria dizer com isso - Por que eu iria ficar triste se minha carta tinha finalmente chegado? Inicialmente achei um mistério como ela sabia o que estava no envelope, mas agora percebo que era óbvio que a professora verificava cada uma das cartas para ter certeza que não continha nada obseno, mas mesmo assim - Como eu poderia ficar desapontado? Quando abri o envelope, entendi.

Não havia carta nenhuma.

A única coisa dentro da carta era uma foto Polaroid, mas não dava para identificar o que era. Parecia um pedaço do deserto, mas estava muito desfocada para decifrar; era como se a câmera tivesse sido movida enquanto a foto estava sendo tirada. Não havia endereço que eu pudesse escrever de volta. Fique arrasado.

O ano escolar foi passando, e as cartas pararam de chegar para quase todos os alunos. Afinal, você não tem muito o que ficar escrevendo para uma criança por tanto tempo. Todo mundo, incluindo eu, tinha perdido quase que totalmente o interesse nas cartas. Então recebi outro envelope.

Minha animação foi rejuvenescida, e me alegrava com o fato que ainda estava recebendo cartas enquanto o resto dos alunos tinha sido abandonados por seus amigos de carta. Fazia sentido que eu recebesse outra - não havia nada mais do que uma foto desfocada na primeira, então essa provavelmente era para compensar a outra. Mas, novamente não havia carta.. Apenas outra foto:

Essa era menos borrada, mas ainda assim não conseguia entender. A foto mostrava um pedaço do topo de um prédio e o resto da imagem estava distorcida pela luz do sol.

Por conta dos balões não viajaram tão longe, e por terem sido lançados no mesmo dia, o quadro de fotos tinha ficado muito cheio, então os alunos que ainda estavam recebendo cartas, agora podiam levar as fotografias para casa. Meu melhor amigo Josh foi o segundo aluno com mais fotos levadas para casa até o final do ano - seu amigo de carta era bastante cooperativo e mandou fotografias de toda a vizinhança para ele; Josh levou, acho, quatro.

Eu levei mais ou menos cinquenta.

Os envelopes eram sempre abertos pela professora antes de ser entregue a mim, mas depois de um tempo eu nem via mais as fotos. Entretanto, guardava  em uma das minhas gavetas que abrigava minha coleção de pedras, cartões de baseball, figurinhas de histórias em quadrinho e pequenas miniaturas de tacos e capacetes de baseball. Com o fim do ano letivo, minha atenção voltou-se para outras coisas.


Minha mãe tinha comprado uma maquina de Raspadinha (N.T: Na história original é usado o termo Snow Cone, que é basicamente gelo raspado com suco) no Natal passado, e Josh realmente cobiçava isso - tanto que seus pais compraram uma maquina melhor de aniversário para ele no final do ano. Naquele verão tivemos a ideia de montar uma barraca de Raspadinha para vender; achamos que faríamos uma fortuna vendendo cada um por um dólar. Josh mora em um bairro diferente, mas eventualmente decidimos que o meu bairro seria melhor por ser maior. Fizemos isso por cinco semanas direto até que minha mãe me disse que tínhamos de parar, e só recentemente entendo por que ela fez isso.

No fim do dia de Domingo da quinta semana, Josh e eu estávamos contando nosso dinheiro. Tínhamos cada um uma máquina, e fazíamos dinheiro separados. Mas no final juntávamos tudo e dividíamos uniformemente. Tínhamos feito um total de 16 dólares naquele dia, e enquanto Josh me alcançava meu último dólar, um sentimento de surpresa profunda me consumiu.

Estava escrito "PARA SELOS" no dólar.

Josh notou meu choque e perguntou se tinha contado errado. Contei sobre o dólar e ele disse "Que demais, cara!" Enquanto pensava, concordei. A ideia que o dólar tinha voltado para mim depois de ter passado por tantas mãos me deixou atordoado.

Corri para dentro de casa para falar com minha mãe, mas minha empolgação juntamente de sua distração por causa de um telefonema que fazia no momento fez com que minha história ficasse meio incompreensível, e apenas respondeu "Uau! Muito legal!"

Frustrado, corri de novo para fora e disse à Josh que tinha algo para lhe mostrar. De volta ao meu quarto, abri a gaveta e peguei o maço de envelopes e mostrei algumas das fotos. Comecei com a primeira, e vimos mais umas dez até Josh perder o interesse e perguntar se eu queria brincar na trincheira (uma vala de terra que ficava no final da rua) antes que sua mãe viesse buscá-lo, então foi isso que fizemos.

"Guerreamos" por um tempo, mas fomos interrompidos várias vezes por um farfalhar vindo do bosque ao nosso redor. Haviam guaxinins e gatos de rua que viviam lá, mas era barulho de mais, então ficamos trocando palpites sobre o que era, na tentativa de assustar uns aos outros. Meu último palpite foi que era uma múmia, mas no final Josh continuava insistindo que era um robô, por causa dos sons que estávamos ouvindo. Antes de irmos embora, ele ficou um tanto sério e me olhou nos olhos dizendo, "Você ouviu, né? Parecia um robô. Você também ouviu, né?" Eu tinha ouvido, e tinha soado mecânico, então concordei que provavelmente era um robô. Só agora entendo o que ouvimos naquele dia.

Quando voltamos, a mãe de Josh estava esperando por ele na cozinha com minha mãe. Josh contou para ela sobre o robô; nossas mães riram e Josh foi para casa. Minha mãe e eu jantamos e depois fui para cama.

Não fiquei na cama por muito tempo antes de sair de fininho e decidir que, devido aos acontecimentos do dia, revistaria todos os envelopes, pois agora tudo parecia mais interessante. Peguei o primeiro envelope e coloquei no chão junto com a foto desfocada do deserto bem em cima. Coloquei o segundo envelope do lado do primeiro e coloquei a foto do topo do prédio em cima. Fiz isso com todas as fotos até formar uma grade com cerca de 10x5; Sempre me foi dito para ser cuidadoso com as coisas que colecionava, mesmo que essas não tivessem nenhum valor.

Notei que as fotos iam ficando cada vez mais decifráveis. Havia uma árvore com um pássaro, uma placa de limite de velocidade, poste de luz, um grupo de pessoas andando para dentro de um prédio. E então vi algo que me deixou extremamente angustiado tanto que agora, enquanto escrevo, lembro de me sentir tonto e capaz de apenas repetir uma pergunta mentalmente:

"Por que estou nessa foto?"

Nessa foto do grupo de pessoas entrando no prédio, me vi segurando a mão de minha mãe, bem no fim da multidão. Estávamos na beira da foto, mas inegavelmente éramos nós. E enquanto meus olhos nadavam pelo mar de Polaroids, comecei a ficar muito ansioso. Era um sentimento realmente estranho - não era medo, e sim aquilo que você sente quando está em apuros. Não sei bem por que fui inundado com essa sensação, mas lá estava eu me afogando na ideia que tinha feito algo de errado. E esse sentimento só se intensificou quando olhei para o resto das fotos depois daquela que tinha me atingido poderosamente.

Eu estava em todas as fotos.

Nenhuma delas eram de perto. Nenhuma delas eram só minhas. Mas eu estava em cada uma dela - no lado, no fundo, na parte inferior do quadro. Algumas delas haviam apenas um pequeno pedaço do meu rosto no canto da foto, mas mesmo assim, eu estava lá. Eu sempre estava lá.

Não sabia o que fazer. Nossa mente funciona de um jeito engraçado quando somos crianças, e havia uma grande parte de mim que estava com medo de entrar em apuros apenas por estar acordado aquela hora. Sendo que eu já estava me sentido ameaçado pela sensação de ter feito algo errado, decidi que esperaria até o amanhecer.

No dia seguinte, minha mãe estava de folga do trabalho e passou maior parte da manhã limpando a casa. Assisti desenhos animados, acho, e esperei até um momento que achasse apropriado para mostrar à ela as Polaroids. Quando ela foi buscar a correspondência, peguei algumas das fotos e coloquei em cima da mesa em minha frente enquanto esperava que ela voltasse. Quando entrou em casa, já estava abrindo as correspondências e jogou algumas fora e eu disse:

"Mãe, você pode vir aqui por favor? Tenho essas fotos..."

"Só um minuto, querido. Tenho que marcar isso no calendário."

Depois de um minuto ou dois, ela meio até mim e ficou atrás da minha cadeira e perguntou o que eu queria. Conseguia ainda ouvir ela ainda mexendo com a correspondência, mas fiquei apenas olhando as Polaroids enquanto contava tudo para ela. Enquanto explicava e apontava para as fotos, os "unhuns" e os "oks" dela fora diminuindo, e de repente estava totalmente calada e não mexia mais com as cartas. A próxima coisa que ouvi era como se ela estivesse tentando respirar em um lugar que não tivesse oxigênio. Por fim ela estava arfando e simplesmente jogou o restante da correspondência em cima da mesa e correu até a cozinha em direção ao telefone.

"Mamãe! Desculpa, eu não sabia disso! Não fique brava comigo!"

Com o telefone pressionado contra o ouvido ela andava/corria para frente e para trás enquanto gritava. Comecei a mexer nervosamente com a correspondência enquanto observa-a. Da abertura da carta que estava no topo da pilha estava saindo um pedaço de algo, que puxei sem pensar.

Era outra Polaroid.

Confuso,  achei que uma de minhas Polaroids tinha, de certa forma, entrado dentro de um desses envelopes quando mamãe tinha jogado-as na mesa, mas quando virei e olhei, percebi que nunca tinha visto esta antes. Para aumentar meu medo, era eu, mas esse era uma fotografia tirada de muito mais perto. Eu estava cercado de árvores e estava sorrindo. Mas não estava sozinho, notei. Josh estava comigo. Essa foto era de ontem.

Comecei a gritar pela minha mãe que ainda estava gritando no telefone. Gritei repetidamente por ela até que respondeu com um "O que?!" e a única coisa que consegui perguntar foi "Para quem você está ligando?"
"Estou falando com a polícia, querido."
"Mas porque? Me desculpa, eu não queria ter feito nada..."

Ela me respondeu com algo que nunca entendi até que me forcei a relembrar desses momentos da minha infância. Ela pegou a foto da mesa e viu a nova Polaroid e colocou junto com as outras. Segurou  o envelope na frente do meu rosto mas eu estava olhando para o rosto dela, que ia perdendo a cor a cada momento que passava. Com lágrimas nos olhos, disse que tinha que ligar para a polícia porque não havia nenhum carimbo do correio no envelope.

sob o jardim pt 3

O anel na verdade não tinha uma aparência muito impactante - uma joia dourada que não parecia ser valiosa aos olhos, mesmo que tivesse uns desenhos - mas era o afeto que ela tinha inconscientemente sob a peça que importava à Frederick. Enquanto ele observava a garota passar a mão e dedos por cima, o sentimento de desejo, euforia, aquela excitação subiu a sua cabeça novamente. A cada toque, a vontade dele de por as mãos em volta da garganta dela e arrancar a vida vagarosamente fazia seu coração pulsar fortemente enquanto seus dentes se cerravam. 

De repente ela parou de falar, notando que Frederick estava olhando para o anel e que estava obviamente perturbado por causa daquilo. "Desculpa, estou te distraindo?" Ela parou de brincar com a joia, mas a apreensão só deixou-o com mais desejo. 

"Não, de modo algum". Frederick respirou fundo e se encostou de volta em sua cadeira. 

Não importava o quando ele desejava esmagar aquela bela garganta, não importava o quando ele ansiava ver o olhar de horror no rosto dela enquanto tirava a vida de seu pequeno corpo, sabia que nunca poderia matá-la dentro de sua própria casa. Isso seria amador. O medo de ser pego era emocionante, mas a realidade do que aconteceria era uma perspectiva aterrorizante. Ele sabia muito bem o que acontecia com pessoas como ele na cadeia, especialmente quando ele tinha feito algo a mais do que só matar as vítmas - homens, mulheres ou crianças. 

Se inclinando para a frente, Frederick perguntou, " Então é Caridade FAR? O que é FAR?"

"O Fundo de Apoio aos Romanis" ela respondeu, meio confusa que ele não estivera ouvindo esse tempo todo. 

"Romanis, tipo os ciganos?" Frederick perguntou severamente. 
"Sim, exatamente. Você sabe, muitos ciganos viajantes são perseguidos, só por conta de suas crenças e nós fazemos tudo que podemos para combater isso levantando fundos para as tradições ciganas. Nós tentamos ajudar a sociedade ver que não precisam ter medo dos viajantes." Ela sorriu, mas nãos conseguia esconder seu desconforto, ou preocupação. Era óbvio que percebia algo estranho sobre seu anfitrião. 

O brilho de medo excitou Frederick profundamente. Mas foi e juntando com uma raiva crescente; uma combinação potente em qualquer caso. "Você quer que eu dê dinheiro para aqueles imundos?" Ele perguntou com raiva. 

"Nós só estamos tentando acabar com o preconceito!" a garota respondeu, com a voz tremendo. Então, cometeu um erro fatal. Em um breve momento de coragem ela se levantou, olhou para Frederick diretamente nos olhos e falou "Nosso povo merece ser tratado melhor que..."

Frederick levantou com raiva de sua cadeira, gritando entre os dentes "Cigana imunda na minha casa?"

Segurou a garganta dela com uma mão e apertou forte enquanto usava a outra mão para socá-la. O som da cartilagem estalando a cada golpe, o nariz quebrando em vários lugares, abafando o som que a menina fazia enquanto tentava gritar, mas Frederick não daria a ela esse luxo. 

Ele não parou. Depois de espancar a pobre menina por vários minutos seguidos, finalmente a raiva dele começou a se dissipar. Ela estava morta e irreconhecível. Claro que ele não sentia remorso, de fato estava sorrindo sozinho, eufórico e  com prazer correndo por suas veias. Mas então a realidade veio a tona; havia matado alguém dentro de sua própria casa. Outra regra quebrada! 

O pânico tomou conta. O chão estava coberto de sangue, assim como a poltrona que ela antes estava sentada. O DNA dela estava por todo o lugar. Frederick tentou se acalmar, para pensar mais claramente. Era mais inteligente que isso, muito mais! Tudo teria que sumir dali, o carpete, a cadeira; até o papel de parede do corredor. Tudo que ele a viu tocando ou pode ter tocado teria de ser trocado. 

Mas e o corpo? Isso não seria simples como as outras coisas. Teria que se livrar dele de algum jeito. 

Depois de acalmar seus nervos, Frederick arrastou o corpo da menina pelo corroedor, o cabelo antes loiro agora encharcado de sangue, seu rosto totalmente desfigurado. Não sentia remorso, nem pena, nem culpa. Arrastando a menina em direção ao banheiro, ocasionalmente sentia o estalo ou alongamento dos ligamentos enquanto a puxava. Ofegante e com um certo esforço, jogou o cadáver dentro de uma banheira branca de porcelana. Agora o banheiro teria de ser eliminado também. 

Para que não houvesse suspeitas,  teria que cortar o corpo e sair pouco a pouco com os pedaços e enterrar em algum lugar. No galpão do jardim haviam um machado e uma serra que sabia que dariam conta do trabalho. Coberto de sangue, Frederick teve de tomar um banho rápido para poder ir para a rua e pegar as ferramentas necessárias, em caso de alguém o ver. Teria de ser muito cuidadoso daqui pra frente se quisesse se livrar dessa bagunça.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

1000Voltures "passos"

eae galera estou trazendo uma serie de 10 historias que foram postadas no reddit espero que gostem
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Essa história é longa, então já me desculpo de antemão. Nunca tive a oportunidade de contar isso tão detalhadamente, mas realmente aconteceu quando eu tinha por volta dos seis anos de idade.

Em um quarto silencioso, se você pressionar sua orelha contra um travesseiro, conseguirá ouvir seu batimento cardíaco. Quando criança, o som rítmico e abafado pareciam-se passos leves no carpete. Então, quando mais novo, quase todas as noites - no momento que estava quase adormecendo - ouvia esses "passos" e era arrancado do meu sono, aterrorizado.

Por toda minha infância morei com minha mãe em um bairro bastante agradável que estava em fase de transição - pessoas com baixa renda estavam gradualmente se mudando, e eu e minha mãe eram umas dessas pessoas.  Ao redor de nossa pequena casa haviam vários bosques que rodeavam o bairro, onde brincava e explorava durante o dia,  mas a noite ficava um pouco mais sinistro. Isso juntamente ao fato que nossa casa tinha um grande forro por baixo, que enchiam minha mente com monstros imaginários e situações inevitáveis que consumiam meus pensamentos quando acordado pelos passos.

Contei para minha mãe sobre os passos e ela disse que era apenas coisa da minha imaginação; persisti tanto até que minha mãe soprou em meus ouvidos por dez minutos, algo que eu achava que ajudaria. Claro que não ajudou. Apesar de toda a bizarrice dos passos, a única coisa estranha que acontecia era que, de vez em quando, eu acordava na parte de baixo da beliche mesmo tendo ido dormir na parte de cima, mas isso não era tão surreal, sendo que as vezes acordava para mijar ou tomar água e talvez só não lembrava de ter deitado na cama de baixo (sou filho único, então não era de grande importância). Isso acontecia uma ou duas vezes por semana, mas não era tão aterrorizante. Porém um dia, não acordei na cama de baixo.

Tinha ouvido os passos, mas estava com tanto sono que não liguei, e quando acordei não foi por causa disso ou por um pesadelo, e sim pelo frio. Muito frio. Quando abri meus olhos vi estrelas. Estava em um bosque. Imediatamente me sentei e tentei entender o que estava acontecendo. Achei que estava sonhando, mas não parecia certo (estar no bosque também não era certo). Havia uma boia de piscina na minha frente - aquelas em formato de tubarão. Isso apenas fez com que a coisa toda ficasse mais surreal, mas depois de certo tempo percebi que não iria acordar, pois não estava sonhando. Me levantei para tentar me orientar, mas não reconheci esse bosque. Eu brincava nos que ficavam perto da minha casa o tempo todo, então os conhecia como a palma da minha mão. Mas se esse não era o mesmo bosque, como iria sair dali? Dei um passo e senti uma dor imensa no meu pé que me fez cair sentado de novo. Tinha pisado em um espinho. Com a luz do luar, podia ver que estavam por toda a parte. Olhei para meu outro pé que estava bom ainda, como todo o resto do meu corpo. Não tinha mais nenhum arranhão e nem se quer estava sujo. Chorei por algum tempo e depois levantei de novo.

Não fazia ideia por onde ir, então apenas escolhi uma direção. Resisti a vontade de gritar por ajuda, não tinha certeza se gostaria de ser encontrado por seja lá quem estivesse em um bosque no meio da noite.

Andei pelo que pareceu horas.

Tentei andar em linha reta, e tentava voltar a linha original quando tinha que tomar desvios, mas eu era uma criança com medo. Não haviam corujas ou gritos, e apenas em um momento ouvi algo que me assustou. Parecia como o choro de um bebê. Agora, creio que era apenas um gato, mas eu entrei em pânico na hora. Corri virando em várias direções para evitar um enormes arbustos e árvores tombadas. E estava prestando bastante atenção aonde pisava, porque a essa altura, meus pés estavam em péssimo estado. Eu estava prestando muito mais atenção aonde eu pisava do que para onde eu estava indo porque, não muito depois de ter ouvido o choro vi algo que me encheu de um desespero que nunca tinha sentido ainda. Era a boia de piscina.

Eu estava apenas a 3 metros de onde tinha acordado.

Não era por feitiço ou por alguma dobra no tempo espaço. Eu estava perdido. Até aquele momento eu tinha mais pensando em como sair do bosque do que como tinha chegado ali, mas voltar ao ponto inicial fez minha mente girar. Nem tinha certeza de que era os bosques que conhecia; eu apenas estava torcendo que fosse. Teria eu dado uma enorme volta ou apenas feito uma curva e voltado? Como eu sairia dali? Na época eu achava que a estrela mais brilhante era a do norte, então olhei para o céu, encontrei a mais brilhante e a segui.

Eventualmente as coisas começaram a parecer mais familiares e quando eu vi "A trincheira" (uma vala que meus amigos e eu usávamos para brincar de guerra), sabia que havia conseguido. Nesse momento eu já estava caminhando muito lentamente pois meus pés doíam demais, mas estava muito feliz por estar perto de casa então comecei a correr levemente. Quando eu avistei o telhado da minha casa por entre aos outras da vizinhança, soltei um suspiro e comecei a correr mais rápido. Eu só queria chegar em casa. Já tinha decidido que não contaria nada para minha mãe, porque não fazia ideia do que dizer. Eu entraria na casa de algum jeito, me limparia e voltaria para cama. Meu coração quase explodiu quando fiz a volta e consegui ver inteiramente minha casa.

Todas as luzes estavam ligadas.

Sabia que minha mãe estava acordada, sabia que teria de explicar (ou tentar) aonde tinha estado, e não conseguia nem pensar por onde começar. Meu correr virou um caminhar rapidamente. Eu vi a silhueta dela por trás das cortinas, e por mais que estivesse preocupado de como explicaria o que aconteceu, isso não me importava naquela hora. Eu subi os poucos degraus da varanda e coloquei minha mão na maçaneta. Um segundo antes de conseguir abri-la, dois braços me envolveram e me puxaram para trás. Eu gritei o mais rápido que pude "MÃE! ME AJUDE! POR FAVOR! MÃE!" O sentimento de estar salvo e depois ser fisicamente arrancado dele me encheu de um pavor tão grande que, mesmo depois de tantos anos, é indescritível.

A porta que eu fui afastado se abriu, e uma gota de alivio pingou dentro de mim. Mas não era minha mãe.

Era um homem, e era enorme. Eu me sacudi e tentei chutar a pessoa que me segurava enquanto tentava escapar dele da pessoa que acabara de sair da minha casa. Eu estava com medo, porém mais furioso ainda. "ME SOLTA! ONDE ELA ESTÁ? ONDE ESTÁ MINHA MÃE? O QUE FIZERAM COM ELA?" Enquanto minha garganta ardia e eu buscava mais fôlego para voltar a gritar, eu percebi um som que me era muito familiar. "Querido, por favor se acalme. Estou aqui." Era a voz da minha mãe.

Os braços se afrouxaram e fui solto, e enquanto o homem se aproximava pude ver suas roupas. Era um policial. Me virei para ver a quem pertencia a voz e realmente era minha mãe. Tudo estava bem. Comecei a chorar, e nós três entramos em casa.

"Estou tão feliz que você voltou, querido. Achei que nunca te veria de novo." Nesse ponto ela também estava chorando.

"Desculpa, não sei o que aconteceu. Eu só queria voltar pra casa, desculpa."

"Tudo bem, só nunca mais faça isso. Não sei se eu ou minhas canelas aguentariam..."

Uma risadinha quebrou meus soluços e sorri levemente. "Desculpa por te chutar, mas porque me segurou daquele jeito?"

"Só estava com medo que você fosse fugir de novo"

Fiquei confuso. "Como assim?"

"Encontramos o bilhete no seu travesseiro," ela disse, e apontou para um pedaço de papel que o policial estava segurando do outro lado da mesa.

Peguei o bilhete e li. Era uma carta de "fuga". Dizia que eu estava infeliz e que nunca maus queria ver minha mãe ou meus amigos. O policial trocou algumas palavras com minha mãe na varanda enquanto eu olhava a cartinha. Eu não me lembro de ter a escrito.  Não lembrava nada disso. Mas mesmo que eu fosse ao banheiro a noite e não me lembrasse ou mesmo que eu tivesse ido para o bosque sozinho, mesmo que tudo isso fosse verdade, a única coisa que eu sabia era que...


"Não é assim que se escreve meu nome... Eu não escrevi isso."

sob o jardim 3

O anel na verdade não tinha uma aparência muito impactante - uma joia dourada que não parecia ser valiosa aos olhos, mesmo que tivesse uns desenhos - mas era o afeto que ela tinha inconscientemente sob a peça que importava à Frederick. Enquanto ele observava a garota passar a mão e dedos por cima, o sentimento de desejo, euforia, aquela excitação subiu a sua cabeça novamente. A cada toque, a vontade dele de por as mãos em volta da garganta dela e arrancar a vida vagarosamente fazia seu coração pulsar fortemente enquanto seus dentes se cerravam. 

De repente ela parou de falar, notando que Frederick estava olhando para o anel e que estava obviamente perturbado por causa daquilo. "Desculpa, estou te distraindo?" Ela parou de brincar com a joia, mas a apreensão só deixou-o com mais desejo. 

"Não, de modo algum". Frederick respirou fundo e se encostou de volta em sua cadeira. 

Não importava o quando ele desejava esmagar aquela bela garganta, não importava o quando ele ansiava ver o olhar de horror no rosto dela enquanto tirava a vida de seu pequeno corpo, sabia que nunca poderia matá-la dentro de sua própria casa. Isso seria amador. O medo de ser pego era emocionante, mas a realidade do que aconteceria era uma perspectiva aterrorizante. Ele sabia muito bem o que acontecia com pessoas como ele na cadeia, especialmente quando ele tinha feito algo a mais do que só matar as vítmas - homens, mulheres ou crianças. 

Se inclinando para a frente, Frederick perguntou, " Então é Caridade FAR? O que é FAR?"

"O Fundo de Apoio aos Romanis" ela respondeu, meio confusa que ele não estivera ouvindo esse tempo todo. 

"Romanis, tipo os ciganos?" Frederick perguntou severamente. 
"Sim, exatamente. Você sabe, muitos ciganos viajantes são perseguidos, só por conta de suas crenças e nós fazemos tudo que podemos para combater isso levantando fundos para as tradições ciganas. Nós tentamos ajudar a sociedade ver que não precisam ter medo dos viajantes." Ela sorriu, mas nãos conseguia esconder seu desconforto, ou preocupação. Era óbvio que percebia algo estranho sobre seu anfitrião. 

O brilho de medo excitou Frederick profundamente. Mas foi e juntando com uma raiva crescente; uma combinação potente em qualquer caso. "Você quer que eu dê dinheiro para aqueles imundos?" Ele perguntou com raiva. 

"Nós só estamos tentando acabar com o preconceito!" a garota respondeu, com a voz tremendo. Então, cometeu um erro fatal. Em um breve momento de coragem ela se levantou, olhou para Frederick diretamente nos olhos e falou "Nosso povo merece ser tratado melhor que..."

Frederick levantou com raiva de sua cadeira, gritando entre os dentes "Cigana imunda na minha casa?"

Segurou a garganta dela com uma mão e apertou forte enquanto usava a outra mão para socá-la. O som da cartilagem estalando a cada golpe, o nariz quebrando em vários lugares, abafando o som que a menina fazia enquanto tentava gritar, mas Frederick não daria a ela esse luxo. 

Ele não parou. Depois de espancar a pobre menina por vários minutos seguidos, finalmente a raiva dele começou a se dissipar. Ela estava morta e irreconhecível. Claro que ele não sentia remorso, de fato estava sorrindo sozinho, eufórico e  com prazer correndo por suas veias. Mas então a realidade veio a tona; havia matado alguém dentro de sua própria casa. Outra regra quebrada! 

O pânico tomou conta. O chão estava coberto de sangue, assim como a poltrona que ela antes estava sentada. O DNA dela estava por todo o lugar. Frederick tentou se acalmar, para pensar mais claramente. Era mais inteligente que isso, muito mais! Tudo teria que sumir dali, o carpete, a cadeira; até o papel de parede do corredor. Tudo que ele a viu tocando ou pode ter tocado teria de ser trocado. 

Mas e o corpo? Isso não seria simples como as outras coisas. Teria que se livrar dele de algum jeito. 

Depois de acalmar seus nervos, Frederick arrastou o corpo da menina pelo corroedor, o cabelo antes loiro agora encharcado de sangue, seu rosto totalmente desfigurado. Não sentia remorso, nem pena, nem culpa. Arrastando a menina em direção ao banheiro, ocasionalmente sentia o estalo ou alongamento dos ligamentos enquanto a puxava. Ofegante e com um certo esforço, jogou o cadáver dentro de uma banheira branca de porcelana. Agora o banheiro teria de ser eliminado também. 

Para que não houvesse suspeitas,  teria que cortar o corpo e sair pouco a pouco com os pedaços e enterrar em algum lugar. No galpão do jardim haviam um machado e uma serra que sabia que dariam conta do trabalho. Coberto de sangue, Frederick teve de tomar um banho rápido para poder ir para a rua e pegar as ferramentas necessárias, em caso de alguém o ver. Teria de ser muito cuidadoso daqui pra frente se quisesse se livrar dessa bagunça.